sábado, 15 de agosto de 2015

ESQUECIMENTO

Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei,... tateio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro.
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...

E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!

ESPANCA, Florbela. Poemas SelecionadosCiberfil Literatura Digital