domingo, 3 de abril de 2016

TENTAÇÃO

Domingos Freire Cardoso
O vento está dormindo na calçada
A tempestade o pôs fora de portas
Já ia alta a noite, a horas mortas,
Quando ele entrou em casa de madrugada.
Andou a perseguir uma nortada
Que se agitava amena, em curvas tortas,
Pelos campos lavrados, junto às hortas,
E nela se enredou, noite fechada.
Não foi, de modo algum, um caso sério
Somente as aparências de adultério
Que agora paga, exposto ao pó da rua.
Em casa todos dormem sem cuidados
Só os raios do luar, sempre acordados,
O cobrem com a luz que vem da Lua.